terça-feira, 31 de maio de 2011

mea culpa

Enveredei pelos caminhos errados
que só a pouco assim se revelaram aos olhos do culpado,
durante a estada no caminho
perseverei convicto embora sozinho
e me contentei em erra por conta própria,
esse tempo todo estive indo à forca e reinvindicando a corda,
fui meu carrasco implacável,
sempre com muito esforço, meu único algoz,
o que passou a corda no próprio pescoço e atou os nós,
embora agora eu ainda não saiba o fim da história,
vejo que escolher o caminho errado
e persistir no erro é quase que um suícidio mesmo.

uma unha encravada incomoda muita gente

os idos dias se misturam
enquanto estou nessa cama com o pé pra cima
fatalidades do descuido do autor que durante
tropeços procurando sua obra prima
se esqueceu que também se machuca e sente dor.
e agora cá estou eu,
tentando curar minhas feridas adquiridas no caminho
sejam os pontos no dedo ou o medo de ficar sozinho:
sem ela, sem amigos, sem ninguém comigo,
não que eu quisesse uma plateia de futebol,
mas qualquer coisa seria melhor
que o gosto da solidão com paracetamol.

não que seja um mico, ou sequer uma gafe,
mas sim um fato, um fardo, que assim fosse.
mas a maioria das pessoas que passam por mim
sempre me deixaram mais amargo, nunca mais doce.
o cinismo se instala junto à saudade e uma dose de dor,
mas o prazo de validade das coisas ruins é bem maior,
pelo menos é o que me parece : coisas boas de verdade apodrecem.

azar por esporte

tem dia que é diferente,
você acorda e sente,
tenho que trilhar um caminho diferente.
e mesmo sabendo as desvantagens
de uma boa conduta, sei que chegou
a hora de parar de ser filho da puta
e me botar em primeiro lugar,
ser dono do meu nariz,
fazer mais por mim,
tentar ser feliz antes do fim
inaugurar o thiagocentrismo
antes que o mesmo caia no abismo.
celibatário, abstêmio, sem vícios
nunca foram parte do meu vocabulário,
mas temo que tenho que mudar de ofício
a qualquer horário.