sábado, 8 de dezembro de 2012

A rotina da fumaça.


 Fumar é uma daquelas coisas que com o passar do tempo caiu na desgraça do povo. Os boletins de saúde, as mortes causadas, o cowboy que fumava e morreu,os filmes hollywoodianos sobre o cigarro e tudo acerca a indústria perversa tabagista já foi virado e revirado pelos ditadores da saúde.Tentam informar há muito tempo que o cigarro não é bom. Isso eu já sabia. Mas mesmo assim eu e mais de um bilhão de pessoas no mundo fumamos. Deve ter algo bom no cigarro.
 Não quero aqui levantar a bandeira do fumo e hastear para vocês, caros colegas. Não me entendam mal. Eu aceito vocês e todas as caras de reprovação, todo o isolamento que se é para fumar hoje em dia. Agora me ouçam. Eu nem sempre fui um fumante compulsivo, mas sempre fui um fumante convicto. Sempre soube o que estava fazendo. Tem toda uma política em ser fumante ou não. No mundo de hoje, fumar é relembrar.
 Mas como assim, você deve estar me perguntando. Sim. É relembrar os tempos antigos, os tempos melhores. É relembrar Humphrey Bogart, Brigitte Bardot com os seus inseparáveis cigarros a cada corte de uma película. É lembrar Truffaut, Godard e sua Nouvelle Vague. Chico, Vinicius e a nossa MPB de bom gosto. Frank Sinatra e Robert Johnson, Janis Joplin e Jim Morrison. E todos os gênios fumantes que esse mundo já teve. É relembrar e comprovar, a despreocupação com o que nos rodeia. A liberdade entre os dedos. 
Fumar hoje em dia não é chique. Fumar hoje em dia não é cool. Fumar hoje não está nos trending toppics do twitter ou coisa igual. Fumar é dessas coisas que já foram gloriosas, mas hoje são perseguidas. Mas nos dias de hoje, fumar é ser rebelde. É nadar contra a corrente, ir contra a tendência que robotiza as pessoas, fumar é ostentar um gosto antigo, como colocar um chapéu panamá ou cultivar aquele bigode. Fumar é escrever poesia nos dias do 140 caracteres. Fumar é escutar jazz nos dias do funk. Fumar é escutar rock de verdade. E não essas bandas coloridas de hoje em dia. Mas eu vou tentar parar. Fumar me dá saudade do que eu não vivi. E isso sim mata.


2010, Thiago Monteiro